domingo, 14 de outubro de 2012

Amazonas: porque navegar é preciso



Amazona

Um rio como o Amazonas representa bem o colosso que é o Brasil

A bravura de antigos heróis brasileiros

Carlos Marighella 

Marighella 

Carlos Marighella, inimigo público número 1 da ditadura militar

Líder comunista, vítima de prisões e tortura, parlamentar, autor do mundialmente traduzido Manual do Guerrilheiro Urbano, Carlos Marighella atuou nos principais acontecimentos políticos do Brasil entre 1930 e 1969, e foi considerado o inimigo número 1 da ditadura militar. Mas quem foi esse homem, mulato baiano, poeta, sedutor, amante de samba, praia e futebol, cujo nome foi por décadas impublicável? O documentário Marighella, dirigido por sua sobrinha Isa Grinspum Ferraz, traz uma construção histórica e afetiva, sobre um homem que dedicou sua vida a pensar o Brasil e transformá-lo através de sua ação.
História
Carlos Marighella nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de dezembro de 1911. Era filho de imigrante italiano com uma negra descendente dos haussás, conhecidos pela combatividade nas sublevações contra a escravidão.
De origem humilde, ainda adolescente despertou para as lutas sociais. Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e tornou-se militante do Partido Comunista, dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo.
Conheceu a prisão pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Libertado, prosseguiria na militância política, interrompendo os estudos universitários no 3o ano, em 1932, quando deslocou-se para o Rio de Janeiro.
Em 1o de maio de 1936 Marighella foi novamente preso e enfrentou, durante 23 dias, as terríveis torturas da polícia de Filinto Müller. Permaneceu encarcerado por um ano e, quando solto pela “macedada” – nome da medida que libertou os presos políticos sem condenação — deixou o exemplo de uma tenacidade impressionante.
Transferindo-se para São Paulo, Marighella passou a agir em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários comunistas, duramente atingidos pela repressão, e o combate ao terror imposto pela ditadura de Getúlio Vargas.
Voltaria aos cárceres em 1939, sendo mais uma vez torturado de forma brutal na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, mas se negando a fornecer qualquer informação à polícia. Na CPI que investigaria os crimes do Estado Novo o médico Dr. Nilo Rodrigues deporia que, com referência a Marighella, nunca vira tamanha resistência a maus tratos nem tanta bravura.
Recolhido aos presídios de Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes, ele dirigiria sua energia revolucionária ao trabalho de educação cultural e política dos companheiros de cadeia.
Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista na legalidade. Deposto o ditador Vargas e convocadas eleições gerais, foi eleito deputado federal constituinte pelo estado da Bahia. Seria apontado como um dos mais aguerridos parlamentares de todas as bancadas, proferindo, em menos de dois anos, cerca de duzentos discursos em que tomou, invariavelmente, a defesa das aspirações operárias, denunciando as péssimas condições de vida do povo brasileiro e a crescente penetração imperialista no país.
Com o mandato cassado pela repressão que o governo Dutra desencadeou contra o comunistas, Marighella foi obrigado a retornar à clandestinidade em 1948, condição em que permaneceria por mais de duas décadas, até seu assassinato.
Nos anos 50, exercendo novamente a militância em São Paulo, tomaria parte ativa nas lutas populares do período, em defesa do monopólio estatal do petróleo e contra o envio de soldados brasileiros à Coréia e a desnacionalização da economia. Cada vez mais, Carlos Marighella voltaria suas reflexões em direção do problema agrário, redigindo, em 1958, o ensaio “Alguns aspectos da renda da terra no Brasil”, o primeiro de uma série de análises teórico-políticas que elaborou até 1969. Nesta fase visitaria a China Popular e a União Soviética, e anos depois, conheceria Cuba. Em suas viagens pôde examinar de perto as experiências revolucionárias vitoriosas daqueles países.
Após o golpe militar de 1964, Marighella foi localizado por agentes do DOPS carioca em 9 de maio num cinema do bairro da Tijuca. Enfrentou os policiais que o cercavam com socos e gritos de “Abaixo a ditadura militar fascista” e “Viva a democracia”, recebendo um tiro a queima-roupa no peito. Descrevendo o episódio no livro “Por que resisti à prisão”, ele afirmaria: “Minha força vinha mesmo era da convicção política, da certeza (…) de que a liberdade não se defende senão resistindo”.
Repetindo a postura de altivez das prisões anteriores, Marighella fez de sua defesa um ataque aos crimes e ao obscurantismo que imperava desde 1o de abril. Conseguiu, com isso, catalisar um movimento de solidariedade que forçou os militares a aceitar um habeas-corpus e sua libertação imediata. Desse momento em diante, intensificou o combate à ditadura utilizando todos os meios de luta na tentativa de impedir a consolidação de um regime ilegal e ilegítimo. Mas, mantendo o país sob terror policial, o governo sufocou os sindicatos e suspendeu as garantias constitucionais dos cidadãos, enquanto estrangulava o parlamento. Na ocasião, Carlos Marighella aprofundou as divergências com o Partido Comunista, criticando seu imobilismo.
Em dezembro de 1966, em carta à Comissão Executiva do PCB, requereu seu desligamento da mesma, explicitando a disposição de lutar revolucionariamente junto às massas, em vez de ficar à espera das regras do jogo político e burocrático convencional que, segundo entendia, imperava na liderança. E quando já não havia outra solução, conforme suas próprias palavras, fundou a ALN – Ação Libertadora Nacional para, de armas em punho, enfrentar a ditadura.
O endurecimento do regime militar, a partir do final de 1968, culminou numa repressão sem precedentes. Marighella passou a ser apontado como Inimigo Público Número Um, transformando-se em alvo de uma caçada que envolveu, a nível nacional, toda a estrutura da polícia política.
Na noite de 4 de novembro de 1969 – há exatos 30 anos — surpreendido por uma emboscada na alameda Casa Branca, na capital paulista, Carlos Marighella tombou varado pelas balas dos agentes do DOPS sob a chefia do delegado Sérgio Paranhos Fleury.
Resumo biográfico
1911 – No dia 5 de dezembro, Carlos Marighella nasce na Rua do Desterro número 9, na cidade de São Salvador, Estado da Bahia. Seus pais são o casal Maria Rita do Nascimento, negra e filha de escravos, e o imigrante italiano, o operário Augusto Marighella. Carlos teve sete irmãos e irmãs.
1929 – Marighella começa a cursar engenharia civil na antiga Escola Politécnica da Bahia, depois de haver estudado no Ginásio da Bahia, hoje Colégio Central. Numa e noutra escola, destaca-se como aluno, pela alegria e criatividade. São famosas suas diversas provas em versos.
1932 – Ingressa na Juventude Comunista. O Partido Comunista havia sido criado em 1922. Com a revolução de 30 uma grande efervescência política varria o Brasil. Marighella participa de manifestações contra o regime autoritário e o interventor Juracy Magalhães. Inconformado com versos de Marighella que o ridicularizavam, Juracy manda prendê-lo e espancá-lo.
1936 – Abandona o curso de engenharia e vai para São Paulo a mando da direção, reorganizar o Partido Comunista, que havia sido gravemente reprimido após o levange de 1935. É, porém, novamente preso e torturado durante 23 dias pela Polícia Especial de Felinto Muller.
1937 – Marighella é libertado pela anistia assinada pelo ministro Macedo Soares e, quatro meses depois, Getúlio dá o golpe e instaura o Estado Novo. Na clandestinidade, Marighella é encarregado da difícil tarefa de combater as tendências internas dissidentes da linha oficial do PCB em São Paulo.
1939 – Preso pela terceira vez, é confinado em Fernando de Noronha. Na cadeia, os revolucionários presos organizam uma universidade popular e Marighella dá aulas de matemática e filosofia.
1942 – Os presos políticos vão para a Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, porque Fernando de Noronha passa a ser usada como base de apoio das operações militares dos aliados no Atlântico Sul.
1943 – Na Conferência da Mantiqueira, Marighella, mesmo preso, é eleito para o Comitê Central. O Partido Comunista adota linha de apoio ao governo Vargas em razão da entrada do Brasil na guerra, posição de que ele discorda, embora a cumpra, por dever de militância.
1945 – Anistia, em abril, devolve à liberdade os presos políticos. Com a vitória das forças antifascistas, o PCB vai à legalidade e participa da eleição para a Constituinte. Marighella é eleito como um dos deputados constituintes mais votados da bancada..
1946 – Apesar do apoio de Prestes, o general Dutra, eleito Presidente da República, desencadeia repressão aos comunistas. Marighella participa ativamente da Constituinte com um dos redatores do organismo parlamentar. Conhece Clara Charf.
1947 -Ainda no primeiro semestre é fechada a União da Juventude Comunista. Depois, é o próprio Partido que é posto na ilegalidade. Marighela coordena a edição da revista teórica do PCB, Problemas, e vive um relacionamento com dona Elza Sento Sé, que resulta no nascimento, em maio de 1948, de seu filho Carlos.
1948 – No início do ano são cassados os mandatos dos parlamentares comunistas. Marighella volta à clandestinidade. Data desse ano seu romance com Clara Charf, sua companheira até o fim da vida.
1949/1954 – Em São Paulo, Marighella cuida da ação sindical do PCB. Sob sua direção o PC se vincula aos operários, participa da campanha O Petróleo é nosso e organiza a greve geral conhecida como “dos 100 mil” em 1953. Considerado esquerdista pela direção do Partido, é mandado em viagem à China. Lá é internado em razão de uma pneumonia. Depois, vai à União Soviética e volta ao Brasil em 1954.
1955 – A morte de Getúlio Vargas e o início do governo de Juscelino Kubistchek permitem que os comunistas, embora na ilegalidade, atuem de modo mais visível.
1956/1959 – O XX Congresso do PC da União Soviética inicia a desestalinização. O PCB adota a linha da “coexistência pacífica” pregada pela União Soviética. A vitória da Revolução Cubana, porém, contraria frontalmente as posições do movimento comunista internacional.
1960/1964 – A renúncia de Jânio gera uma crise política. Jango toma posse e Marighella passa a divergir da linha oficial do PC, principalmente de sua política de moderação e subordinação à burguesia. Em 1962, divisão do PC dá origem ao Partido Comunista do Brasil – PC do B.
1964 – Com o golpe de abril, instaura-se a ditadura militar. Perseguido pela polícia, Marighella entra num cinema do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e lá resiste aos policiais até ser diversas vezes baleado, espancado e finalmente preso. Sua resistência transformou sua prisão em um ato político que teve repercussão nacional. É solto depois de 80 dias, depois de um habeas corpus pedido pelo advogado Sobral Pinto.
1965 – Escreve e publica o livro Por que resisti à prisão, em que aponta sua opção por organizar a resistência dos trabalhadores brasileiros contra a ditadura e pela libertação nacional e o socialismo.
1966 – Publica A Crise Brasileira, onde aprofunda suas posições críticas à linha do PCB, prega a adoção da luta armada contra a ditadura, fundada na aliança dos operários com os camponeses.
1967 – Na Conferência Estadual de São Paulo as idéias de Marighella saem vitoriosas por ampla maioria – 33 a 3 -, apesar da participação pessoal e contrária de Luiz Carlos Prestes. Vendo que a derrota no VI Congresso era iminente, Prestes inicia um processo de intervenções nos Estados, para impedir a participação de delegados ligados à corrente de esquerda. Marighella viaja a Cuba para participar da conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade-OLAS. O PCB envia telegrama desautorizando sua participação e ameaçando-o de expulsão. Disso resulta uma carta dele rompendo com o Comitê Central do PCB e afirmando que ninguém precisa pedir licença para praticar atos revolucionários. Como represália, é expulso do Partido Comunista. Retorna ao Brasil e funda a Ação Libertadora Nacional-ALN e dá início à luta armada contra a ditadura militar.
1968 – Marighella participa diretamente de diversas ações armadas recuperando fundos para a construção da ALN. No primeiro de maio, em São Paulo, os operários tomam o palanque de assalto, expulsam o governador Sodré e realizam comemorações combativas do dia internacional dos trabalhadores. O Movimento estudantil toma conta das ruas em manifestações contra a ditadura que chegaram a mobilizar 100 mil pessoas. Em outubro, porém, o Congresso da UNE é descoberto pela polícia e os estudantes sofrem grave derrota. Também no final do ano, torna-se conhecido o fato de que Marighella comandava parte das ações guerrilheiras.
1969 – No início do ano, a descoberta de planos da Vanguarda Popular Revolucionária – VPR pela polícia antecipa a saída do capitão Carlos Lamarca de um quartel do exército em Osasco, levando um caminhão carregado com armamento para a guerrilha. Em setembro o embaixador norte-americano é feito prisioneiro por um destacamento unificado com integrantes da ALN e do MR-8 e trocado por quinze presos políticos. No dia 4 de novembro, às oito horas da noite, Carlos Marighella caiu numa emboscada armada pelos inimigos do povo brasileiro em frente ao número 800 da alameda Casa Branca, em São Paulo, e foi assassinado. Sua organização, a ALN sobreviveu até 1974.

Fonte:Correiodobrasil.com.br

 

Sobre nossos momentos...

Tudo pode  mudar (ou não)


 
São poucas as certezas de que temos na vida, se é que podemos dizer que existe alguma. Das coisas que já vivi sei apenas que tudo passa e dificilmente uma situação vai se repetir em nossas trajetórias. Sejam bons ou ruins, nossos momentos não acontecem duas vezes.

Pode ser que meses ou anos mais tarde estejamos diante dos mesmos personagens e cenários do passado. Mas garanto que o friozinho que vai percorrer ou não nossos corpos será totalmente diferente. Não são apenas as silhuetas e roupas que mudam, circunstâncias, sentimentos, olhares e sorrisos nunca se repetem. O coração sempre altera o compasso, assim como nós desviamos nosso rumo e evoluímos caindo, levantando, aprendendo.

A cada silêncio, cada palavra, cada conversa, as escolhas que tomamos definem o nosso futuro. Aquela frase que ficou entalada na garganta ou a que sai quase sem querer quando estamos nervosos, o ‘eu te amo’ que deixamos de dizer ou demonstrar, aquela agonia de saber que não tentamos todas as possibilidades, que já é tarde demais para consertar o que passou. São importantes e rápidos detalhes que não podemos voltar e viver novamente. Não da mesma forma.

De repente eu me pego medrosa, insegura, boba. Não tenho medo de mudanças, mas não quero que nada mude. Percebo que a vida que eu lutei tanto para transformar era exatamente a que eu queria ter. Aquele era o meu jeito de ser feliz.

Ao mesmo tempo em que penso que não aproveitei o quanto deveria, fico imensamente feliz por ter vivido tantos momentos especiais. Aqueles que nada além das nossas memórias registram, mas que deixam marcas e feridas eternas em nós.

Compreendo que o que passou não possa voltar. Talvez quem inventou esse mundo tão dinâmico tenha razão, que chato seria se pudéssemos retornar e colocar cada palavra dita ou ocultada no seu devido lugar. Por outro lado, que ruim aprender com nossos erros e não pôr logo em pratica as lições.

Não quero só olhar para trás e lembrar com carinho de tudo que vivi. Quero rir de cada situação patética, doce, vergonhosa, alegre e até triste. Porém, sem deixar nenhuma vivência pela metade. Não quero pensar no que poderia ter sido e ficou inacabado. Da certeza de que nada pode ser igual, resta-nos apenas o consolo de que tudo que está por vir pode ser ainda melhor do que o que um dia foi.

Nesse universo de constantes transformações a única garantia que posso dar é a de que eu sou o que sou. Meu caráter, minha personalidade, meus sentimentos não vão mudar jamais. Portanto, se você me aceita e ama desse jeitinho estabanado, criança, louquinho e carinhoso de ser, isso será para sempre. Eu sei.

 







domingo, 7 de outubro de 2012

Como eu me apaixonei à primeira vista por você.

 
Não foi tão difícil assim, vai. Você tinha todos os encantos necessários para chamar a minha atenção e a atenção de todas as mulheres da cidade. Você era um daqueles bonitões de terno e gravata e sorriso grudado no rosto que mamãe não poria defeito nenhum. Ela não é nem louca de colocar algum defeito em você. Eu me lembro do dia como se fosse ontem. E não venha dizer que meu relato é exagerado ou que você não vestia nenhuma das cores que eu vi. O que importa é como os meus olhos te fotografaram no momento em que aquilo aconteceu. Ou como a minha imaginação recordou a história, tanto faz.
Papai sempre me disse que eu era dessas loucas que sofriam de amor precoce. Batia o olho num cara qualquer e pronto. Não havia santo que me fizesse sentir o contrário. Acho que as minhas borboletas no estômago eram de estimação desde criança. Elas ficavam por perto e apareciam ao primeiro sinal de que eu iria me apaixonar. Elas sempre apareciam. Papai também dizia aos amigos para não me deixarem perto dos filhos dele. Ele e aquela maldita mania de falar tudo em inglês por não encontrar palavra melhor na nossa língua. Heart breaker. Uma calúnia. Só porque eu sou do tipo que afugenta as borboletas logo depois que se cansa delas no estômago. Na verdade, eu acho que elas não foram feitas pra mim. Me dão azia e mal estar. Além de achar sempre piegas esse termo e a utilização dele em larga escala por metade da humanidade.
Mas voltemos a você. Acho que não tenho muitos detalhes do tal dia. Era sete de setembro de dois mil e onze e o relógio marcava umas treze e quarenta. Você ia para o trabalho com a sua maleta preta de agente secreto e eu entrei no metrô lotado odiando o mundo pela terceira vez só naquele dia. Sua gravata tava torta. Bobinho. Eu teria ajeitado se nós não estivéssemos separados por algumas dezenas de pessoas que me espremiam e passavam as mãos nas minhas pernas ocasionalmente. Miseráveis! Queriam nos separar, amor. Duas estações e o vagão esvaziou. Parei do seu lado e já detestava os seus fones de ouvido e a música que você ouvia. The Killers àquela hora da tarde? E ainda era uma música que não falava nada sobre mim. Mas você não ligou e abriu um sorriso enquanto falava ao telefone, provavelmente tímido demais para vir falar comigo. Mas eu já tinha sacado seus olhares. Esbarraram em mim na saída da outra estação e foi aí que tudo aconteceu. Meu celular caiu e você o pegou pra mim olhando dentro dos meus olhos e tocando a minha mão. E a partir daí eu já sabia como seriam as nossas noites de terça-feira com pizza e música eletrônica que você detestava. Já sabia que você me chamaria de neurótica todas as vezes em que eu aparecesse de surpresa no seu trabalho só pra te dar um beijinho. Já sabia como seriam a cor dos olhos dos bebês roubando um pouco do seu verde e um pouco do meu azul. Já sabia que você só esperaria uns dois anos até eu terminar minha especialização em medicina para me pedir em casamento. Eu já sabia como seriam as noites sem sono depois de alguma briga por motivos fúteis ou por conta daquela sua viagem de negócios. Já sabia como seria amar você como se a única coisa que importasse fosse nós dois e nada mais.
Eu já sabia como seria tudo isso se você tivesse vindo falar comigo ao invés de só ter me entregado o celular. Nem um oi, meu amor. E você desceu na estação seguinte sem nem retribuir o meu sorriso bobo. Foi um absurdo você ter deixado eu me apaixonar por você naqueles quinze minutos e nem me dar o seu nome ou telefone. Bem que papai me disse que homem nenhum serviria para mim e pro meu amor à primeira vista. E já faz mais de vinte e tantos anos que ele tem acertado na mosca. Nenhum de vocês aguenta a pressão dos meus amores imaginados e parece que já saem correndo antes mesmo de saber o que eu reservei pro nosso futuro. Homens são todos iguais mesmo. É por isso que eu dispenso as borboletas dia sim, dia não. Senão elas cansam e aquilo só me dá mais azia ainda. Bem, você poderia ter sido o amor da minha vida, mas não foi. Você poderia ter sido tudo aquilo que um dia eu sonhei, mas não foi. Você acabou com o nosso “pra sempre” quando me deixou sair do vagão sem ter me parado. Mas até que foi bom, sabe? Porque no momento exato em que eu entrei naquela lojinha de cds da esquina da rua cinco com a três, eu encontrei o meu par perfeito. E ele era bem melhor que você, hein. Ele ouvia The Smiths e, provavelmente, seria o amor da minha vida dali a quinze minutos. Ah, e mandei chamar as borboletas de volta. Porque eu nunca me engano quando encontro alguém assim.

Fonte- www.entretodasascoisas.com.br

Amor Platônico: Como ele acontece?

Quando o amor platônico acontece, é difícil desencanar facilmente. Confira os 5 passos do amor platônico. 





























1 - Fisgada

Você vê um menino pela primeira vez e, de repente, só pensa nele. Mas mesmo um desconhecido? Sim! Escolher um cara impossível é, de certa forma, estimulante: você não sabe nada sobre ele, mas imagina que seja incrível. Ao mesmo tempo, ficar a fim de um garoto assim serve como um escudo para a menina que se sente insegura com sua aparência, tem medo de se relacionar ou de namorar. Nesses casos, é bem mais fácil gostar de alguém inalcançável. Pois é: o amor platônico acaba sendo uma fuga para algumas garotas sem que elas saibam. 

2 - Falta de ar
Os pensamentos se tornam quase obsessivos e tudo o que você vê lembra o garoto. Toda história de amor platônico tem um quê de impossível, o que só aumenta a fixação: o garoto é de outra escola, mora em outra cidade, vocês só se viram uma vez, ele é famoso... 

3 - Só na sua cabeça 
Se o motivo da sua paixão platônica vive por perto você vai, em algum momento, sentir a necessidade de se fazer notada. Mas poucas meninas têm a coragem de se aproximar, já que o menino perfeito só existe na cabeça dela. E dá um baita medo descobrir que o cara não é tão sensacional assim. 

4 - Começo do fim
sem conseguir se aproximar do menino ou fazer a história evoluir, é normal começar a desencanar desse amor. Claro que sempre resta aquela esperança do "e se desse certo", que motiva muitas a continuarem cultuando fotografias, o símbolo do time dele, a marca que ele mais gosta, o papel do chiclete que ele jogou no chão... 

5 - The end
Esse é o destino natural de todos os amores platônicos saudáveis. Ele simplesmente passa com a mesma velocidade e ausência de explicações com que chegou. E, antes que perceba, a menina já está paquerando outros!

Fonte-www.capricho.abril.com.br

Por que as pessoas mentem?



Ontem, depois que saí do consultório, fui ao supermercado. Na hora de registrar as compras, como sempre, peguei uma fila quilométrica. Daí, comecei a procurar algo para “ocupar a mente”, resolvi dar uma olhada nas funcionalidades de um dos celulares que uso e descobri uma função no mínimo inusitada. Como a proposta deste post é discutir as razões que levam as pessoas a mentir, vou deixar pra falar sobre a descoberta do celular mais a diante. Antes, vamos tentar entender o que é e como ocorre a mentira.




Se alguém perguntar o que é MENTIRA, certamente você vai responder algo como: “dar uma informação falsa a alguém”, ou “afirmar que uma coisa falsa é verdadeira”. Porém isso não responde e tampouco explica o que leva uma pessoa a mentir. Para compreender melhor esta questão, precisamos encontrar uma definição relacional, ou seja, que leve em consideração o contexto onde a mentira foi produzida e quais foram suas consequências.
Uma boa ferramenta que temos para fazer a relação entre o contexto e as consequências é analisando o comportamento verbal.  Por comportamento verbal, entendemos todo comportamento (ação) de uma pessoa que produz efeitos noutra pessoa antes mesmo de produzir efeitos no contexto. Por exemplo, uma pessoa que está sentindo calor pode pedir a outra que ligue o aparelho de ar-condicionado, no lugar dela mesma ligar. Seu comportamento (verbal), ou seja, sua solicitação agiu sobre outra pessoa e esta pessoa modificou o meio em que ambas se encontravam.
Quando uma descrição ou afirmação como esta do ar-condicionado é formulada e emitida, o outro pode se utilizar dela para nortear seu comportamento. Observa-se, então, que descrições ou regras formuladas por uma pessoa afetam o comportamento do outro e nessa intenção de fazer com que a outra pessoa se comporte e provoque mudanças no contexto, pode ocorrer tanto a emissão de verdades quanto de mentiras.
Falar a verdade ou contar uma mentira, são comportamentos verbais aprendidos e mantidos pelas consequências que produzem. Ou seja, quando alguém é beneficiado por contar uma mentira, tal comportamento pode ser aprendido. Se mentir mais vezes trouxer “vantagens”, ele será mantido em alta frequência e selecionado para fazer parte do repertório comportamental da pessoa. Nesse sentido, precisamos considerar que o comportamento de mentir pode ser mantido, também, por afastar ou adiar consequências desagradáveis. Por exemplo, o estudante que falta a aula para não fazer uma prova que não estudou ou a criança que finge estar doente para não ir à escola.
Você saberia dizer quando e porque aprendeu a mentir? Normalmente aprendemos isso desde a infância. As crianças mentem com frequência para seus pais, pois eles costumam punir quando elas falam a verdade  sobre algo que os pais consideram errado. Então, elas podem aprender a mentir para, por exemplo, ter a oportunidade de brincar com um coleguinha que não é bem quisto pela sua família, ou mentir sobre ter realizado a tarefa de casa para assistir ao seu desenho favorito.
Como foi afirmado anteriormente, pode-se mentir para ter acesso a alguma vantagem ou evitar um “mal maior”. Assim sendo, as pessoas têm maior probabilidade de mentir menos e dizer a verdade diante de contextos em que o que elas não se sintam julgadas, não são criticadas, nem punidas. Se um pai pune o filho quando ele relata que assistiu TV quando deveria estudar, é importante observar que ele puniu o comportamento do filho ter feito o que não devia, mas, puniu principalmente o comportamento de dizer a verdade. Você, por exemplo, após ter sido punido por dizer a verdade, você a diria em outra ocasião?
Com isso, podemos entender que as pessoas mentem porque aprenderam a evitar punições ou ter vantagens a partir das mentiras, certo? Certo. Mas o que mais pode contribuir para que as pessoas mintam? Se você disse (ou pensou) que, para uma pessoa mentir é preciso que ela tenha as ferramentas e as condições para que a mentira seja elaborada e emitida, você acertou novamente! E já que chegamos às condições para que a mentira ocorra, vou falar do descobri no meu celular.
Na fila do supermercado, ao acessar o menu principal…
… me deparo com uma lista ferramentas, onde no topo aparecia: “chamada falsa”!
Curioso (lógico) quis saber como funcionava e para que servia.
Dei OK e surgiram opções para configurar a “chamada falsa”:
1) Ligar/desligar – para ativar/desativar a ferramenta;
2) Hora – definir o intervalo para que a chamada “falsa” fosse realizada;
3) Remetente – para inserir o nome e número do telefone de alguém .
Ativei a ferramenta, programei um intervalo de 01 minuto (poderia ser entre 10 segundos  e 30 minutos) e coloquei um nome e um número de telefone.
Confirmei a ação.
Pronto, agora era só esperar pra ver o que aconteceria.
30 segundo depois, o próprio celular toca, informando o nome e o número do celular que eu havia preenchido nos campos de configuração da “chamada falsa”.
Ri comigo mesmo, pois parecia até eu estava surtando. Juro que pensei “se eu atender, quem é que vai falar comigo? Tenso e curioso, atendi e felizmente não ouvi nada, mas verifiquei que no o visor mostrava como se de fato eu estivesse com uma ligação em curso. Inclusive ficou registrada nas chamadas recebidas com tempo de duração e tudo mais.
Não sei se o exemplo foi válido, mas com isso tentei ilustrar o quando o contexto em que vivemos e as ferramentas que ele nos oferece não só nos ensina a praticar comportamentos inadequados, como é o caso da mentira, como também esse mesmo contexto nos dá as condições e ferramentas para que tenhamos comportamentos ditos desviantes.

Além de mentiras ter pernas curtas, sabemos que todo comportamento produz pelo menos um efeito.
Confesso que gostaria muito de ouvir dos criadores de tal ferramenta ou da marca que a comercializa em seus aparelhos celulares, qual é de fato o propósito de uma de dar condições para se simular uma “chamada falsa”.  Não pude deixar de imaginar o que um criminoso poderia ou uma pessoa de má fé poderia fazer com uma ferramenta dessas ou o quão útil ela seria pra justificar tantas e tantas mentiras nos mais variados contextos e situações.
Por tudo isso é que penso que nós, juntamente com nossa sociedade, sofremos as consequências de ações mal planejadas e comportamentos inadequados que foram aprendidos pelas consequências reforçadoras de contextos em que foram geradas, mas, também, por vivermos em ambientes que favorece que tudo isso ocorra e por vezes até com incentivos, sem que sejam pensadas as consequências danosas que elas podem trazer individual e coletivamente.

Autor -Elídio Almeida

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Imagens para curtir...Gostaram?



Recados de Paisagens


O Amor, Quando Se Revela (Fernando Pessoa)

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...



Recados de Paisagens


Soneto da Fidelidade (Vinícius de Morais)

E tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meus pensamentos
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure




Recados de Paisagens


Pela Luz dos Olhos Teus (Vinícius de Morais)

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.




Recados de Paisagens


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